domingo, 16 de novembro de 2014

"Os intolerantes" no CCBB




Em tempos como o nosso, há que se expor os mais profundos traços da miséria humana: é uma forma de depuração, que se não cura, propicia um alívio momentâneo.

Os Intolerantes é, assim, tal qual um anti-ácido, um sal de frutas, ou mesmo um chá de boldo, uma eparema teatral. Amargo, estranho, necessário, aliviante.

Tomando como ponto de partida a história real do menino preso com uma tranca a um poste no Flamengo, o espetáculo aprofunda o olhar sobre a intolerância, a violência, o preconceito, a ausência de solidariedade. Um olhar preciso em tempos de tantos berros, defesas do indefensável e, talvez o pior dos males, interdição do debate.

Falando da peça, aproveito pra mandar um abraço pro casal querido, por quem tiver o prazer de ser orientado no I Núcleo de Dramaturgia do Sesi, Carla Faour e Henrique Tavares por esse ótimo trabalho (ele dirige, ela atua e os dois assinam a dramaturgia). E, representando o elenco inteiro, pro camarada Leandro Santanna, artista e militante da cultura, como um dos personagens mais marcantes do ano que passou: o "Batman das Manifestações". Um personagem, como todos os outros, com um pé bem cravado na realidade, diga-se.

Por isso, se você não foi ver, corre. Eles tão no CCBB, até 21 de dezembro, de quarta a domingo. E sabe como é por lá, né?, você pisca o olho e os ingressos da temporada inteira acabam.

Vida longa a Os Intolerates! À peça, que fique claro.

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