segunda-feira, 28 de julho de 2014

Primeiras frases

Sou um sujeito apaixonado por começos de livros. Talvez isso tenha a ver com o fato de gostar de começar muitas coisas (e nem sempre terminá-las, vá lá).

Essa coisa de gostar de primeiras frases de livros me bateu da primeira vez que li Garcia Marquez. Era "Crônica de uma morte anunciada" e o Gabo começava assim:

"No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo."

Passei a colecionar começos de livros desde então, primeiras frases, frases para começar um romance, um conto, uma peça, um texto, o primeiro parágrafo, a primeira fala, o ponto de partida. E eis que há pouco me deparo com o chileno Alessandro Zambra e seus dois romances "Bonsai" e "A vida privada das árvores". Nos dois, a mão cheia pra abrir uma história:

"No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia." (Bonsai - Zambra)

"Julián distrai a menina com A vida privada das árvores, uma série de histórias que inventou para fazê-la dormir. Os protagonistas são um álamo e um baobá que de noite, quando ninguém está vendo, conversam sobre fotossíntese, esquilos, ou sobre numerosas vantagens de serem árvores e não pessoas ou animais ou, como eles dizem, estúpidos pedaços de cimento." (A vida privada das árvores - Zambra)




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