quarta-feira, 18 de junho de 2014

Breve intervalo nos dramas cotidianos: Festa no covil





"Algumas pessoas dizem que sou precoce. Dizem isso principalmente porque pensam que sou pequeno pra saber palavras difíceis. Algumas das palavras difíceis que eu sei são: sórdido, nefasto, pulcro, patético e fulminante."


"Festa no covil" é o primeiro livro do Juan Pablo Villalobos. O romance foi publicado no Brasil em 2012 e, apesar da curiosidade pela capa, que acho fantástica, demorei a me render. Tinha sempre muita coisa pra ler em casa, muita coisa pra ler pro trabalho, muita coisa pra escrever. Muita coisa.

Há um mês, assisti a uma entrevista do autor no Globo News Literatura. Ele falava sobre o novo livro ao Edney Silvestre. Gostei daquele cara contando histórias. Comprei o livro, o primeiro.

É bem curtinho. Não sei, porém, se precisava ser maior. É fantástico do jeito que é. Independentemente de se conhecer o México ou não. É direto, incisivo, violento e doce. 

A história é contada por Tochtli, filho de um chefão do tráfico. Mas não se trata de uma história sobre drogas. Pode ser sobre como um garoto quer ter hipopótamos anões da Libéria, como o menino acha estar contando. O texto todo é marcado por uma crueza muito particular, que revela um personagem que convive o tempo inteiro com a violência física e psicológica. No fim das contas, fico com a definição do Ali Smith, do The Telegraph: o texto é sobre inocência e bestialidade.


Enfim, leiam Villalobos.


* A imagem que ilustra o texto tá no Blog da Companhia. A foto é do Renato Parada; a capa, da Elisa von Randow.

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