domingo, 25 de maio de 2014

Lona dos sonhos

Lona na Lua ensina teatro, dança e música em Rio Bonito (Foto: Marllon Lopes)



No último sábado (24), fui assistir ao novo trabalho do Lona na Lua, grupo de teatro de Rio Bonito. O grupo acabou de comemorar cinco anos de atividades e estreou o espetáculo “Minha casa, minha vida”, escrito e dirigido por Zeca Novais, com um elenco formado por adolescentes participantes do projeto cultural homônimo.

Antes de qualquer outra coisa, é bom ficar claro que serei tendencioso: o Zeca, Zé Carlos pra mim, é um amigo querido de muitos anos. Fundamos e dividimos a mesma companhia de teatro por muito tempo, a Interferência Teatral, e continuamos fazendo coisas juntos. Além disso, Rio Bonito é minha cidade, minha aldeia, e o Lona na Lua é das iniciativas mais importantes levadas a frente na cidade nos últimos 30 anos, sem dúvida. É um orgulho pra cidade e pra mim também. Assim, que fique claro desde aqui, não há possibilidade de um texto isento.

Dito isso, convido todos a assistir. A peça conta a história de Caroba, uma nordestina que descobre pela televisão que casas populares estavam sendo distribuídas no Rio de Janeiro e parte em direção à cidade. Ao chegar lá, encontra outras pessoas na mesma situação e percebe que as coisas não seriam tão simples como imaginava. O elenco, formado por atores-estudantes adolescentes dá conta da responsabilidade. Como nos outros espetáculos do Lona na Lua, há muito humor e muita música ao vivo. Mais uma vez, a produção musical fica a cargo do músico Marcelo Kaus.

Na apresentação que assisti, o espaço estava lotado e boa parte do público era de crianças. Estavam lá fascinadas, comentando com os pais, perguntando coisas, chateadas com o fim do espetáculo. É importante pensar que elas, algumas filhas de contemporâneos meus, podem ter acesso à arte na cidade. A minha geração só obteve na marra, fazendo, criando novos caminhos, até chegarmos ao que existe hoje.

É bom saber que a Lona está lá. Mas não se pode esquecer de todas as dificuldades enfrentadas no caminho e as que ainda virão. E vale lembrar que a existência do Lona na Lua depende não apenas do trabalho dos loneiros: somente com o apoio da comunidade, dos empresários e do poder público, tanto a Prefeitura quanto a Câmara, o projeto continuará dando os frutos que tem dado. Rio Bonito está fora do grande centro produtor e consumidor de arte e entretenimento e estar na periferia é uma condição que não podemos negar. Ao contrário, isso pode e deve ser a mola propulsora pra que nos tornemos mais fortes. O fato é que tem que ter apoio, patrocínio, subvenção e casa cheia toda semana, tudo junto!

Eu, de longe, torço e apoio como posso. O texto, sem nenhuma isenção como disse no início, é o mínimo que posso fazer. Espero que os rio-bonitenses possam fazer o mesmo, de perto, de longe, de todos lugares e modos possíveis. Que a Lona possa ser a casa de todos, nossa, sempre, e que cada um se sinta como parte dela. Ela já tem sido uma casa dos sonhos por esses cinco anos. Que venham mais cinco, mais dez, mais 50, mais 50 anos de casa cheia e gente sorrindo. Vida longa ao Lona na Lua!



Serviço

Minha casa, minha vida
Uma realização Lona na Lua
Texto, direção e músicas de Zeca Novais
Produção Musical de Marcelo Kaus
Produção artística de Fátima Novais e Nathália Di Vaio
Com o elenco formado pelos participantes do projeto sócio-cultural Lona na Lua

Em cartaz até o dia 8 de junho, aos sábados e domingos, às 20:30.
O Espaço Cultural Lona na Lua fica na Avenida Sete de Maio, no centro de Rio Bonito.

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