terça-feira, 13 de maio de 2014

Foi-se o brilho

Queimaram a testa porque o sol era forte.
Queimaram os dedos, os pratos estavam quente.
Queimaram os pés, descalços, sobre a superfície ardente das ruas, calçadas e areia.
Queimariam a língua, um dia, quem sabe. De diversas formas, certeza, comidas e gentes.
Seus olhos brilhariam, qual fogo, como olhos de crianças que eram.
Brilhariam, pudessem ser vistos através da fumaça. Poderia se ter dito isso. Mas, antes, houve a dívida, o lençol, a casa vazia, a mordaça, o fio de telefone e o fogo. 
E nada mais brilhou.

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