segunda-feira, 18 de novembro de 2013

"O quarto de Bianca": crítica no Blah Cultural






Crítica de teatro: "O quarto de Bianca"
por Anna Cecília

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Sábado à noite. Todas as camas estavam lotadas durante a encenação de “O Quarto de Bianca”, no Art Hostel Rio, no Catete. Sim, camas! Lá o público foi convidado a entrar em um dos quartos coletivos do albergue e se alojar onde quisesse. Do alto dos beliches ou nas camas de baixo, sentados ou deitados, da forma mais confortável possível as pessoas finalmente conheceram a jovem.


Não tardou para a garota de quase 30 anos entrar no aposento. Com seu estilo vestido claro e olhar expressivo, a personagem, com seu estilo bonequinha e jeito efusivo, chegou de mala na mão e muitas lembranças para compartilhar. Mas, não foi só ela quem teve seu momento nostálgico não. Bianca colocou todos os presentes para relembrar o gosto da infância. No quarto, era como se todos fôssemos velhos conhecidos de Bianca. Isso porque a personagem abriu seu coração para o público e adivinha… Foi uma montanha-russa de emoções!

Com o texto profundo, introspectivo e dramático, a atriz Renata Egger conseguiu mostrar seu grande talento dando o tom certo que Bianca merecia e ainda criando a imagem da mãe da personagem em nossos imaginários. O clima da encenação foi de bate-papo informal e houve espaço até para dar umas risadinhas. Em alguns momentos parecia até que estávamos pegando carona com os pensamentos acelerados da personagem (por conta disso logo no início pode parecer um pouco confuso, mas não demora para  fluir legal o espetáculo). De forma descontraída e não linear, mas ao mesmo tempo com profundidade e sempre na busca pela interação, o monólogo apresenta temas pertinentes à faixa etária de Bianca. Porém, sempre fazendo um paralelo com a extrema importância da figura materna na formação psicológica da personagem. (Não vou contar mais se não perde a graça…)

De onde veio e para onde vai Bianca ninguém sabe. Aliás, não se sabe nem se os relatos dela são verdadeiros ou não passam de delírios de uma jovem com problemas emocionais, Mas, na vida real quando se tem contato com alguém desconhecido, pela primeira vez, também não é assim… Não temos certeza de nada do que é dito e só nos resta acreditar. A única coisa que se pode afirmar é que os relatos carregados de dramaticidade de Bianca eram a verdade dela naquele momento…


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