terça-feira, 23 de outubro de 2012

O copo e as metáforas

Olhou para o copo sobre a mesa.

Poderia usar mais uma vez a metáfora do copo. Mas só estava colocando uma dose.

Poderia encarar a garrafa. Também sobre a mesa. Até preferiria. Vazia depois da dose nova. A eterna renovação. Poderia ser outra metáfora.

Sentiu o cheiro por uns segundos. Não era sommelier ou qualquer coisa do gênero. Mas poderia extrair da cena outro par de metáforas.

Bebeu um gole longo. Colocou o copo sobre a mesa de novo. E respirou. Melhor, suspirou.

Olhou mais uma vez para o copo sobre a mesa.

Havia bebido uma parte. O conteúdo havia sido alterado. Estava meio cheio. Ou meio vazio. E.

Poderia utilizar outra vez a metáfora do copo. Mas, a usar mais uma metáfora gasta, preferiu beber.

Nenhum comentário:

Postar um comentário