quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Saltando com Pink Floyd


Tocava Shine on you Crazy Diamond. Pink Floyd.

E a menina pequena usava fones de ouvido gigantes. Não era possível ver suas orelhas. Nem mesmo de muito perto. Ainda que fosse possível ver aquela menina pequena de muito longe: usava uma roupa muito colada. Era o uniforme de sua equipe.

Saltava. Era uma daquelas meninas pequenas. Era ginasta. Crescera girando no ar e caindo no colchão do outro lado.

Repetidamente, saltava.

Era criança quando começou. O corpo se adaptou. Poderia dizer que se moldou. Na adolescência, continuava saltando. Atleta de alto nível. Medalha olímpica.

Cansou.

Chegara a hora da despedida. O último salto. E a aposentadoria. 

Aos 20.

Enquanto vestia a malha, tomou o ácido. Terminou. Colocou os fones. Volume no máximo.

Shine on you Crazy Diamond. Pink Floyd.

Senhores passageiros, estamos iniciando as manobras de decolagem.

Poderia jurar ter ouvido essas palavras.

Assim como poderia jurar ver um avião decolando.

Ver não, ser.

O avião pousou.

Pena que ela usou os joelhos. Se tivesse condições de compreender onde estava, teria visto no placar seu 16º lugar. Mas pode ouvir com clareza, ainda que estivesse sem os fones.

Shane on you crazy diamond.

You were caught on the crossfire

Of childhood and stardom,

Blow on the steel breeze.



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