quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Desculpas e cartas de amor" no Desmandamentos



Escrevia cartas de amor.


Tinha raiva. Mas escrevia cartas de amor para ela. Tinha raiva, ela também. Os dois haviam brigado. Feio. Uma briga feia. Os dois foram embora.

Em casa, pensava no erro. Nos. Tanto tempo juntos. Ela tão perto. Uma família tão perto.

Estava nervoso. E escrevia as cartas de amor como uma desculpa.

Queria falar com ela. Queria conversar. Era hora de resolver todos os problemas. Era hora de acabar com a existência de qualquer possível aresta. Aparar as arestas, pensou. 

Ansioso. Estava muito ansioso. Precisava falar naquela hora.

Abandonou as cartas. Juntou os pedaços de papel amassados, largados na mesa, olhou a hora e foi em direção à porta. Queria encontrá-la. Entregar aqueles pedaços do coração, escritos com tanto amor. Queria pedi-la em casamento. Formar uma família. Não queria mais esperar.

E foi.

Correndo pela escada, tropeçou. Desceu rolando 5 andares. No térreo, estava morto. Não haveria desculpas, cartas de amor ou casamento.

Culpa da família: pais ausentes, nunca aprendeu a amarrar o cadarço.


_________________________________________


Esse texto tá participando de um concurso no Desmandamentos! Se você gostou, vota lá!

O link direto pro concurso é: 

Nenhum comentário:

Postar um comentário