terça-feira, 26 de junho de 2012

Doce


Tinha as mãos meladas pelo chocolate derretido.
Havia alguns minutos, segurava aquele pedaço de chocolate, sem saber o que fazer. De certa forma, encarava-o. Não que aquilo possuísse algum sentido. Mas pensava em como tudo chegara até aquele ponto.
Dois dias antes, a briga.
Eu não quero mais. Fica, por favor. Eu não aguento mais. A gente pode tentar outra vez. Não, não pode. É claro que pode. Eu queria. Você não pode desistir. Você desistiu de nós.
O chocolate, a espera. O telefone não tocou.
Eu não desisti. Eu não posso mais. Eu tenho direito de te pedir. Você não tem direito a nada. Eu não vou deixar você ir. Sai da minha frente. Eu te amo.
Encheu-se de doces. Não, não tinha medo do diabetes. Quem sabe se lhe amputassem a perna, poderia sentir mais pena de si própria. Aí sim, faria sentido. Então, não parava de comer doces.
A porta ficou aberta.
Abriu o armário e começou a comer os doces que encontrava. Todos os biscoitos. Bebeu todos os sucos. Refrigerantes também. Preparou e comeu as gelatinas e pudins. Os bombons e as barras de chocolate. Um após outro.
Havia dois dias. Era o último pedaço. Do último doce.
O pedaço de chocolate, derretido, melava a mão. A porta ainda estava aberta. O telefone ainda não tinha tocado. Nem tocaria.
E ela não tinha a menor ideia do que fazer quando aquilo acabasse.

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