sábado, 19 de maio de 2012

"Por uma boa higiene bucal" da dEsEnrEdoS



Ela abriu os olhos.

Sem muitas imagens poéticas sobre o acordar e levantar da cama de uma mulher que habitasse as páginas da literatura, foi até o banheiro e, desviando do espelho, entrou no banho. Terminado, saiu do box desviando mais uma vez do espelho e foi em direção ao quarto, fugindo do outro também. Vestiu-se e foi comer alguma coisa. Como não havia nada que lhe interessasse na geladeira, tomou um gole da coca-cola aberta na porta. Voltou ao quarto, sempre tomando cuidado. Arrumou tudo. Estava quase pronta. Foi então escovar os dentes. Entrou no banheiro, cabeça baixa, sem levantar os olhos. Pegou a escova e passou a pasta. Foi só aí que, suavemente, ergueu o rosto e encarou o espelho ao mesmo tempo em que colocava a escova na boca. Mecanicamente começou o processo e a espuma se formou na boca. Os olhos travados. Corpo travado. Todo. Era aquilo que havia evitado até aquele momento: não queria ver o próprio rosto. Os olhos fundos indicavam sua tristeza. O vermelho não negava o choro óbvio.

________________________________________

Texto publicado na dEsEnrEdoS, edição 13.

Pra ler o texto integral, clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário