quinta-feira, 3 de maio de 2012

O sorriso


Continuo sorrindo ou posso enlouquecer agora?, perguntou.

Ela estava sentada, em frente ao mar. Olhava. Triste. Como se fosse um quadro do Munch.

Ele tentou melhorar. Disse que ela não precisava ficar daquele jeito. Que nada era preciso. Nada. Como se fosse possível melhorar aquilo.

Não era.

Ela mantinha o sorriso. Era um sorriso débil. Estranho. Meio paralisado. Parecia uma paralisia facial. Era quase bizarro.

Por quê?, ela perguntou.

Mas não esperava resposta. Quis apenas perguntar. Na verdade, dizer. Pensou bem e percebeu que não era uma pergunta. Era só alguma coisa que precisava ser dita.

E o que ele deveria dizer, não sabia. Nem ele.

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