segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A encruzilhada


Estava em êxtase.

Naquela velha encruzilhada havia sentido o pulsar. Não, não era religioso. Mas na reformada encruzilhada o surdo falou com ele.

Devidamente fantasiado, emocionado por estar ali, olhou para o lado. Havia uma mulher. Bonita, parecia rezar. Ela logo percebeu que alguém observava e retribuiu o olhar.

E feito um ritual os dois seguiram lado a lado. Soltos, brincando e cantando alto. Vez em quando, os olhares se esbarravam e sorriam, cantando com ainda mais devoção.

Cruzado o espaço, ao olhar pra trás, havia um mar de cores. Muitos sorrisos e olhares se cruzando, igualmente emocionados. Olharam-se mais uma vez. Abraçaram-se ainda vibrando. Não conseguiam parar.

Choravam, suados, extasiados. A alegria misturava-se ao suor e às lágrimas. Sorriram e olharam-se mais uma vez. Ela seguiu para o portão de acesso à arquibancada. Ele pelo portão da dispersão.

A velha encruzilhada devolvera o pulsar esquecido. Estavam renovados. E de alma lavada. Aquela hora e pouca de tantas lembranças chegara ao final.

Estavam em êxtase.


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