domingo, 19 de fevereiro de 2012

Super Homem



Era domingo de Carnaval. E ele estava deprimido.

Não havia motivos para estar feliz. Acordara com uma ressaca absurda. Mas não, não havia saído na noite anterior. Havia passado o sábado de carnaval em casa.

Sozinho.

Assistira ao desfile das escolas de samba de São Paulo. Começou cedo. E bebendo. Uma garrafa de cachaça. Sozinho. Sem misturas ou aperitivos. Ou companhia

Andara pelos blocos da cidade na sexta e no sábado. Bebera o dia inteiro. Não se sentiu bem, voltou pra casa. Não pelos motivos que deveria.

Não, não estava doente. Era. Tentou, depois de tantos anos, brincar o carnaval. Não foi capaz.

O golpe derradeiro fora a noite anterior. Em frente à televisão, percebeu a total ausência de sentido em sua vida. Precisava de uma solução para aquela sensação.

Foi quando abriu o armário e pegou a fantasia de Super Homem. Vestiu-se com o que restava de dignidade e foi para o terraço do prédio. Não retornou mais ao apartamento.

Não, aquele Super Homem não sabia voar.


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