sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A pergunta retórica


Estavam juntos havia alguns meses.
- Você me ama?
Ela fica em silêncio.
- Hein?
Acha tudo meio chato.
- Claro que sim.
- E por que não diz?
Silêncio. De novo.
- Hein?
- Não foi uma pergunta retórica?
Ele fica quieto. Fora, de fato. Mas não quer admitir. Não claramente.
- É que eu acho bom ouvir, de vez em quando.
Ela não fala. Não responde.
Ele se angustia.
- Queria me sentir amado, sabe?
- Isso depende de você.
Ele deveria ter avisado que a pergunta era retórica.
Mas não fez.
- Depende de eu ouvir que sou amado também. Não entende isso?
Era retórica. De novo.
- Não. Depende de você entender que ama porque quer.
Mais uma vez, não disse. Mas deveria. E, quem sabe teria evitado o que seguiria ouvindo.
- É uma questão de escolha. Se você tem tesão, entendo que não pode controlar. Se diz que me ama, é uma escolha. E se escolheu, não enche meu saco. Consegue entender?
Era uma pergunta retórica.

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