domingo, 8 de janeiro de 2012

Estavam perdidos

A porta aberta deixava entrar um facho de luz.
Era pouco.
Era possível ver duas sombras entrando no quarto.
Apenas isso.

ELA: Não se perca ao entrar.

Servia para a vida.
Era um labirinto. Ela.
Elas.
E servia para o quarto também.
Ela tentava alertar. Mas ele ignorava. E insistia. E pisava corajosamente pelo chão.
No escuro.

ELA: Achei que tinha queimado na semana passada. Troquei, mas continuou sem acender.

Um estalo.

ELE: Desculpa.
ELA: Sem problemas.

Ela abriu a janela. A luz da rua e da lua iluminaram o quarto.
Sentou com as costas no armário, de frente pra janela.
Era bonita. Só não sabia disso.

ELE: Tem alguma bebida aí?
ELA: Na cozinha. Vou lá pegar.

Ele impediu com um gesto.

ELE: Não precisa.

Ela sorriu.
Outro estalo.
Agora vinha do corpo dos dois. Juntos.
A luz que entrava pela janela iluminava os dois corpos sobre a cama.
Estava escuro. Não era possível enxergar o caminho.
Nenhum deles.
Não era possível ser preciso. Nem preciso.
Estavam perdidos.

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