domingo, 11 de dezembro de 2011

Os quereres dela


Chovia. A porta da igreja estava cheia de gente, ainda naquela confusão pré-cerimônia.
Ela estava por ali. Naquele tumulto, procurava algum rosto conhecido. Olhou praquilo tudo em volta. Queria chorar discretamente. Mas não chorou. Olhou pra tudo mais uma vez e pensou no que realmente queria.
Ela queria casar. Ponto. Não adiantava ninguém dizer que estava jovem ainda, que amor vai e volta, que a hora chega. Nada disso fazia sentido.
Queria ser pedida em casamento. Queria toda a surpresa, ele de joelhos, a caixinha, o anel. Queria o brilho da pedra, do sorriso dele e dos seus próprios olhos. Queria a festa de noivado. A família em volta da mesa, todo álcool e gritos de festa. Queria a mesa cheia, o avô certo da virgindade e o pai meio deprimido. Queria ostentar a aliança. Queria ter o trabalho de organizar o casamento, de marcar a festa e escolher a igreja. Queria pegar o buquê no casamento da amiga e ser a próxima a casar. Queria um salão cheio, uma dança bizarra, encher a cara até desmaiar e só ter noite de núpcias no dia seguinte. Afinal, sexo se faz todo dia, festa de casamento é uma vez na vida.
Queria. Mas, apesar de todo seu querer, isso não bastava.
Não, não estava tão jovem assim. A hora já havia chegado. Há muito. Por que não era ela ali?

Queria tudo isso. Mas não queria por querer. Ou por ser mulher. Queria porque amava. Bastante.

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