quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Durante o casamento chuvoso


A igreja está cheia. Faz muito calor e o casamento vai começar. Ela não é a noiva. Isso é um problema, ainda que não compreenda isso. Ouve a música começar suavemente e ganhar seus ouvidos. Sente um aperto.
As portas se abrem: é a noiva. Seus olhos estão cheios de lágrimas. O que há pra se dizer? Olha para o lado. O amigo sorri, colocando a mão sobre seu ombro.

ELE: Parece que ela tá assada.

Ela sorri. Mas o comentário não será suficiente para aplacar a dor por muito tempo.

ELA: Deve ser o sapato.
ELE: Ou a antecipação da lua de mel.

Ela sorri de novo. Ganha mais fôlego. Como continuar. Por que não ela, ali?

ELE: Isso tem que parar.
ELA: O quê?
ELE: Sua dor.

Ela fica em silêncio. Na igreja, ecoa a música executada pelo trio no balcão.

ELE: Não sei como. Mas essa é sua parte.
ELA: Não sei o que faço de errado.

O choro da visão da noiva se mistura ao choro novo. Ou velho.

ELE: Sabe.

Isso, ela sabe. Mas não parece aceitar. O telefone vibra: é uma mensagem. Ela responde.

ELA: Tenho que ir. Não demoro.

Não, ela vai demorar.


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