domingo, 4 de dezembro de 2011

Antes do casamento chuvoso


A igreja ainda está vazia. Ela está sentada na primeira fila, olhando fixamente para o altar. Acabara de chegar da rua, de seu carro e da sua incapacidade latente de encontrar um ponto de retorno. Tudo é silêncio. Ele chega e senta ao lado dela. Os dois conversam bem baixinho, quase num sussurro.

ELE: Oi.
ELA: Oi.
ELE: E aí?
ELA: Não sei.
ELE: E?
ELA: E nada. Não sei.
ELE: Nenhum sinal?
ELA: Sinais confusos.
ELE: Entendi.
ELA: Preciso encontrar um rumo. Não sei o que fazer.

O coroinha entra e procura alguma coisa no altar. A igreja está preparada para um casamento. Do lado de fora, chove fino. O rapaz parece não encontrar o que procurava. Também não se importa com a conversa dos dois.

ELE: A gente sempre sabe fazer alguma coisa.
ELA: Eu só faço merda.
ELE: A gente é programado. Não pra fazer merda, mas pra responder às necessidades.
ELA: Eu não tenho resposta pra tudo.
ELE: No fundo, tem.
ELA: Mas não entendo.
ELE: O quê?
ELA: Não entendo nada.

Silêncio.

ELA: Digo que entendo, mas não entendo mais nada, não sei mais nada. Só sei que amo.
ELE: Tem certeza?
ELA: Tenho.

Não, ela não tinha certeza.


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