quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O dia em que a banda esquisita de Seattle regeu 40 mil vozes





Queria poder agradecer pelo que o Pearl Jam representa. Não acho possível.
É, eu gosto de grunge. Gosto da guitarra distorcida, suja, das letras depressivas e do sotaque tosco das bandas de Seatlle. Mas, não, não ando vestido de roupa xadrez nem tenho cabelo comprido. Os anos 1990 já se foram: é domingo, 2011, estamos no Sabódromo. Eu e mais uns 40 mil.
Eles, vinte anos na estrada, ainda estão aí. Não importa se mais velhos. A voz do Eddie está cada vez mais rouca, ele já não sobe mais nas grades nem pula do palco: a idade chega.
Mas a relação com o público não muda. A dedicação e a doçura permanecem. Você olha pros caras e pensa o quanto eles gostam do que fazem. Aí, algum mal-humorado vai dizer que ganham bem, são famosos e deveriam estar sempre felizes. Conheço um monte de gente que odeia o que faz. E odeia a todos em volta.
A verdade inexorável é que há uma energia inexplicável naquele palco e isso contagia a quem vê. Esse é só o primeiro passo para a construção da relação com o público. Quem olha tudo isso, faz disso seu alimento. O que segue é um fervor quase religioso da plateia, cantando em uma só voz: a voz do desajuste.
No fundo, é isso. O Pearl Jam está sempre lá pra nos mostrar o lado mais escuro e sombrio da nossa alma e o nosso desajuste constante, seja na forma de um garoto qualquer, de quem foi abandonado, explorando as relações disfuncionais ou de alguém que simplesmente não consegue encontrar alguém melhor. No fim, tira você disso tudo dizendo que tá tudo errado, que tudo quase sempre dá errado, mas você está vivo. E é isso que importa.
Não acredito que isso baste, mas obrigado, Pearl Jam. Muito obrigado.

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